Carlos Medeiros faz fotografia conferindo a cada uma e a toda a sequência das imagens um sentido narrativo sem desfecho, utilizando sombras dramáticas e alto contraste. Não só se apodera do limitado espaço que meticulosamente compôs para uma mulher atormentada, como o sujeita a várias focalizações e jogos de captação daquele sentido, que se pretende linearmente expresso, mas que permanece radicalmente oculto. O clima destas fotografias é o de quem se confina a um quarto, a parte de um quarto que nada logra e, no entanto, se mantém permeável a uma qualquer realidade exterior: o silêncio do telefone, a velada janela, a mala de uma possível viagem, a atitude vigilante ou expectante da personagem cuja natureza contingente se deixa transcender por uma luz que a fere e a redime.
Fonte: contratempo.com
